Minas Gerais: um fim de semana em Tiradentes

Nossa ida para Tiradentes fez parte de um pequeno tour que fizemos por Minas Gerais. Passeamos por Inhotim, dormimos perto de Brumadinho e de lá seguimos, de carro, para Tiradentes.

Já havíamos passeado por Ouro Preto anteriormente, então, na minha cabeça, as cidades seriam meio parecidas. Igrejas, centro histórico, ladeiras, essas coisas.

Já registro que me enganei. As cidades até têm lá as suas semelhanças, mas as similaridades são muito menores do que eu havia imaginado.

Enquanto Ouro Preto é mais “séria”, tradicionalista, Tiradentes me pareceu mais leve. Claro que pode ser porque fomos bem no final de semana em que estava acontecendo um festival de vinho (e vinho deixa tudo mais leve), mas segundo nos disseram, todo fim de semana há algum evento por lá.

Bom, o fato é que chegamos na cidade em um sábado, por volta das duas da tarde. A cidade estava cheia, agitadíssima, quase caótica. Tudo graças ao movimento normal do fim de semana, agravado pelo festival de jazz e vinho.

Aqui, a primeira dica sobre um passeio a Tiradentes. A cidade é mais animada aos finais de semana, que é quando muitos turistas aproveitam para fazer os passeios. Por isso, muitos restaurantes e outros atrativos acabam ficando fechado nos dias úteis. Vale a pena se programar para curtir a cidade nos fins de semana e feriados. Tudo vai estar mais cheio, mas em contrapartida, os restaurantes estarão todos abertos.

Nós já tínhamos essa informação e já imaginávamos que a cidade estaria cheia. Logo, estávamos cientes de que ficar andando de carro por lá não seria uma boa ideia, pois achar vaga para estacionar seria uma luta, ainda mais na parte central.

Justamente por isso, escolhemos um hotel perto do centro histórico, mas com estacionamento, o Pouso Alforria. De fato, foi uma boa opção. Em menos de cinco minutos caminhando já estávamos no centro. E o melhor de tudo, praticamente sem ladeira.

Além da comodidade da localização, o hotel tem estacionamento, o que é uma mão na roda. O quarto em que ficamos era bem amplo e confortável, mas é preciso estar ciente de que é um hotel antigo. Então, existem limitações naturais de estrutura. Ainda assim, na minha avaliação, tem um bom custo-benefício.

Deixamos nossas coisas no hotel e já seguimos, a pé, para o centro. Estava bem tarde e nós ainda não havíamos almoçado. Escolhemos o restaurante Sapore di Itália, bem no meio da muvuca. O restaurante estava cheio, mas o serviço foi muito eficiente. Pedimos wraps e estavam ótimos.

Saímos do restaurante e fomos andar pela cidade. De fato, Tiradentes é uma graça. O casario histórico é lindo e o centro foi cuidadosamente projetado para se integrar a isso. São inúmeros restaurantes, pousadas, igrejas e lojas de doces e artesanato em geral. Isso sem contar as lojas de bebidas, tudo colorido e aconchegante.

Há um espaço central, bem ao lado da rodoviária, que é onde costumam ocorrer os festivais e outros eventos. O festival de vinhos, inclusive, acontecia lá. Pertinho dali, está o Morro da Cruz, com uma capela charmosa, a São Francisco de Paula. Dele, é possível ter uma linda vista da cidade. No fim da tarde, a luz fica perfeita e rende fotos muito bacanas.

É uma cidade bem pequena, então dá para deixar o carro estacionado e passear a pé sem problemas. Ao contrário de Ouro Preto, as ladeiras são bem mais amigáveis em Tiradentes. E a cidade é tão simpática que convida para algumas caminhadas meio sem rumo.

Destaque para o fato de que grande parte das praças, jardins e outros espaços públicos da região central foram reprojetados no final da década de 70 por Burle Max, então, para quem gosta de arquitetura, vale olhar com atenção a obra do multiartista consagrado por obras paisagísticas país afora.

Pra quem gosta de história, Tiradentes é um destino perfeito, pois tem uma grande importância no movimento dos Inconfidentes Mineiros, cuja história é muito bem contada nos museus da cidade.

A poucos passos do Morro da Cruz e da Praça da Rodoviária, está o Largo das Forras, cercado por vários restaurantes e lojinhas de tudo que é coisa. Além disso, como não poderia deixar de ser, há uma infinidade de capelas e igrejas espalhadas por toda parte.

Falando em Igrejas, é bom ficar atento ao fato de que elas não ficam abertas todos os dias e algumas cobram uma pequena taxa para visitação.

No fim da tarde, depois de algum tempo batendo perna de forma aleatória, voltamos para o hotel para nos agasalhar melhor. A noite caiu e a temperatura também. Devidamente aquecidos, voltamos para o centrinho e fomos curtir o festival.

Bem na área central, perto da rodoviária, várias barracas estavam enfileiradas. Em cada uma delas, vinhos e outras bebidas eram parte do cardápio. Entre uma e outra, também havia algumas barracas vendendo queijos e outra iguarias. No meio do espaço estavam dispostas algumas mesas e no fundo um palco com apresentações de jazz.

Nós passamos por boa parte das barracas e priorizamos os vinhos mineiros. Na verdade, usamos o festival para conhecer melhor os vinhos da região, pois em geral, não é muito fácil encontrar vinhos mineiros para provar. No festival havia duas barraquinhas com tintos e brancos mineiros. Tomamos vinhos muito bons, em especial um branco Mar de Morros, que, inclusive, trouxemos para casa depois.

Encerradas as degustações fomos jantar em um restaurante tailandês muito bem recomendado: Uaithai. Já gostei do nome logo de cara. Um trocadilho muito inteligente, que também mostra a alma do restaurante, que tem uma excelente fusão de comida mineira e tailandesa.

O ambiente do restaurante é lindo, o atendimento foi muito bom e os pratos estavam deliciosos. Encerrado o jantar, voltamos para o hotel para, enfim, descansar.

O dia seguinte começou com um city tour espetacular. O nome é Becos de Tiradentes e é uma caminhada pela parte histórica da cidade, mas usando os becos ao invés das ruas principais. Não sou muito fã de passeios guiados, mas este eu recomendo sem sombra de dúvidas. Tenho certeza que ele trouxe uma outra perspectiva para as caminhadas na cidade.

Os becos foram criados na época colonial para que os escravos (e todos que não eram das classes altas) não precisassem andar pelas vias principais. Mais separatista impossível, mas no contexto colonial, em que tivemos o vergonhoso período de escravidão e outros disparates, os becos eram o menor dos descalabros.

Hoje, são usados por moradores locais e mostram diversos outros ângulos de Tiradentes. Nosso guia era muito bom e agregou demais ao passeio. De fato, ele foi uma atração à parte. A cada parada, uma chuva de informações e curiosidades. Durante o passeio, fomos conhecendo os pontos mais importantes da cidade, mas sempre caminhando através dos becos.

Ao invés de focar em visitar individualmente igrejas, museus e outros pontos turísticos, o passeio dá um panorama geral da cidade, explicando diversos aspectos históricos, apresentando locais importantes e incentivando os turistas a visitarem por conta própria os pontos que mais interessarem.

Passamos em frente a quase todas as igrejas e museus, mas entramos apenas na Igreja dos Mulatos e na São João Evangelista, que estavam abertas durante o passeio e não cobram taxa de visitação.

Conforme íamos passando pelos lugares, o guia nos informava da parte histórica, mas também nos agraciava com curiosidades sobre expressões idiomáticas, tão comuns em Minas. Se há um fundo de verdade nas explicações ou se tudo não passa de folclore, jamais saberei. Mas que foi divertidíssimo, isso foi.

Terminamos o passeio por volta do meio dia e fomos almoçar. O escolhido foi o Boulevard Tiradentes. Um lugar único, que vale muito a visita. Atendimento impecável e comida maravilhosa. A propósito, lá foi onde comi o melhor feijão tropeiro da vida. Recomendo.

De lá, fomos conhecer com mais calma alguns pontos que haviam despertado nosso interesse durante a caminhada. Fomos até a Igreja Nossa Senhora do Rosário, que era frequentada pelos escravos. Depois fomos ao museu Casa do Padre Toledo, um dos membros mais importantes do grupo dos Inconfidentes. Ambas as visitas muito interessantes.

Durante a caminhada, paramos para tomar um espresso no Café Martins, bem na avenida principal. Andamos mais um pouco e, no fim da tarde, fomos ao Marcas Mineiras, um misto de cafeteria e galeria de arte. Sim, fomos a um café depois do café. Sou dessas, café bom nunca é demais.

E olha, tenho que dizer, o Marcas Mineiras é uma excelente opção. Não bastasse a beleza do lugar, com mesas na varanda e algumas espalhadas sob a sombra das árvores, o café, o chá de morango e as comidinhas estavam sensacionais. Destaque para o bolo de mandioca com goiabada, que estava espetacular. Gostamos tanto do lugar que fomos duas vezes durante nossa curta passagem por Tiradentes.

À noite, jantamos no Ateliê, um restaurante bem intimista e aconchegante, meio fora do centro mais movimentado, mas que se relevou uma boa opção para um jantar tranquilo. Devo dizer que a comida não estava espetacular, mas o conjunto ambiente, praticidade e eficiência do serviço acabou compensando.

No dia seguinte, nosso plano era ir até o distrito de Bichinho, bem pertinho de Tiradentes. Mas antes, aproveitamos que a Igreja Matriz de Santo Antônio estava aberta e fomos até para conhecer o interior. E tenho que confessar, não é qualquer interior. A Igreja não é muito grande, mas é linda, bem naquele estilo ostentação.

Encerramos as visita à Igreja e seguimos para Bichinho. Chegamos lá perto da hora do almoço e fomos direto ao restaurante Tempero da Ângela, muito bem recomendado. Apesar de ser um dia de semana, estava bem cheio e logo deu pra entender o porquê. A comida deliciosa no fogão a lenha não deixou dúvidas: o restaurante é uma atração por si mesmo.

Eu até poderia ir para Bichinho só pela comida, mas não era esse o caso. O forte de bichinho são as lojas de móveis e artesanato, bem como uma tal casa torta.

O lugar é bem pequeno, tem praticamente só uma rua, mas tem tanta loja que dá pra ficar um bom tempo por lá bisbilhotando tudo. Depois de almoçar, andamos pelas lojinhas, paramos em frente à Casa Torta, tiramos algumas fotos e voltamos para Tiradentes.

Fizemos uma breve pausa no hotel e já voltamos a caminhar pelo centrinho. Andamos um pouco pelas lojas, fomos até o Café Marcas Mineiras para uma despedida e aproveitamos para ir até as lojinhas e comprar algumas lembrancinhas.

Depois, voltamos para o hotel e fomos ajeitar as malas, pois partiríamos pela manhã. Para jantar, fomos até o restaurante português Alma. Estava tudo delicioso e o restaurante é muito agradável.

No outro dia cedo, dissemos até breve e seguimos viagem. Um fim de semana memorável em uma cidade encantadora, que merece não apenas uma, mas várias visitas.

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