Planejando uma viagem ao Caparaó

O que esperar

Minas Gerais pede mais que uma viagem (Não à toa, é figurinha repetida por aqui). Minas não é desses lugares que cabem em um passeio só. São diversas regiões, cada uma com um foco diferente. Das cidades históricas aos vilarejos bucólicos, há opções para todos.

Dessa vez, a viagem tinha um destino certo, que fica ali nas serras, entre Minas e Espírito Santo. Estou falando da região do Caparaó. O lugar abriga o Parque Nacional do Caparaó e agrupa grande parte das fazendas de café especial. A altitude adequada, somada a terra fértil, temperatura amena e água de qualidade formam o cenário ideal para os cafés mais sofisticados.

Além disso, a região tem cachoeiras, rios e riachos impressionantes. É o lugar perfeito para unir turismo de aventura, gastronomia deliciosa e degustação de cafés especiais. É obvio que, com essas características, a região entrou fácil na nossa lista de desejos.

Mas antes de compartilhar o relato desses dias, é importante deixar algumas considerações sobre o acesso à região, os atrativos que ficam dentro e no entorno do parque, além de algumas informações que só descobrimos depois que já estávamos lá.

Por isso, vou dividir essa aventura em dois posts. No primeiro, esse aqui, vamos falar da escolha do destino, do planejamento inicial e dar algumas dicas importantes para quem quiser fazer uma viagem para lá. Vou espalhar algumas fotos no decorrer do post só para dar um spoiler do vem pela frente.

No segundo e no terceiro posts, que devem sair em breve (ou não :)), vamos trazer o nosso relato de viagem, no melhor estilo diário de bordo.

A região do Caparaó

Antes de mais nada, é importante esclarecer que a região do Caparaó engloba diversas cidades, entre elas Alto Caparaó, Espera Feliz, Pedra Menina, Iúna e etc, algumas em Minas e outras no Espirito Santo.

Essa informação é relevante porque há certa confusão entre o nome da cidade, Alto Caparaó, e o nome do parque, Parque Nacional do Caparaó. Enquanto planejávamos a viagem, me deparei com algumas informações desencontradas sobre isso e, apesar de parecer óbvio agora, acho que é legal esclarecer. Para que não fiquem dúvidas e para evitar confusões, nos posts vou me referir à região do Caparaó.

A região pode ser visitada a partir de qualquer um dos dois estados. E para quem vai de avião, os aeroportos mais usuais são os de Vitória ou de Belo Horizonte. A partir de qualquer deles, basta alugar um carro e seguir para o Caparaó.

A distância entre Vitória e a região é de cerca de 280 km. Já de Belo Horizonte até lá, são mais ou menos 330 km. Na prática, podemos dizer que a distância é basicamente a mesma, pois os atrativos da região estão espalhados. Além disso, o próprio Parque tem duas entradas, Portaria Alto Caparaó e Portaria Pedra Menina. Então, a questão da distância também deve levar isso em conta.

Como se deslocar por lá e a melhor época para ir

Esse tipo de viagem acaba funcionando melhor para quem está de carro (ou moto). Os atrativos são distantes e, sem um veículo, fica bem complicado, pois não há uma grande estrutura de transporte.

Até existe a possibilidade de ir de ônibus até a cidade escolhida para ser a base do roteiro e, a partir dela, contratar passeios com agências de turismo, mas, estando com um veículo próprio ou alugado, a viagem tende a ser bem melhor.

Outra coisa a considerar é a época da viagem. Estamos falando de uma região na serra em que os atrativos vão desde de trilhas em montanha até cachoeiras. Então, é meio difícil encaixar tudo em uma viagem só. Explico: para aproveitar as cachoeiras, a melhor época é o verão, pois apesar de chuvas, o tempo fica mais quente e as águas um pouco menos geladas.

Já para as trilhas em montanha, a melhor época é o inverno, pois o risco de chuva é menor. Lógico que dá pra tentar uma época intermediária, mas passeios de natureza são sempre imprevisíveis. Nós fomos em fevereiro e tivemos pouquíssima chuva, embora alguns dias estivessem nublados.

O parque nacional do Caparaó

Agora vamos falar do atrativo mais famoso do lugar, que é o Parque Nacional. Como eu já mencionei, o parque fica na divisa entre os dois estados, mais especificamente na Serra do Caparaó. Ele tem mais de 30 mil hectares, sendo que a maior parte do parque está geograficamente no Espírito Santo.

O parque possui inúmeras cachoeiras e abriga o o terceiro pico mais alto do país, o Pico da Bandeira, com 2.892 metros. Além dele, há mais cinco picos que estão entre os mais altos do país, sendo eles o  Morro da Cruz do Negro (2.658 metros), o Pico dos Balaios (2.649 metros), o Pico dos Cabritos ou do Tesouro (2.620 metros), o Pico do Tesourinho (2.584 metros) e a Pedra Menina (2.037 metros). Por aí já é possível concluir que a Serra do Caparaó é bem imponente.

A área é administrada pelo ICMbio, que possui um site bem completo com as informações a respeito do parque e dos atrativos, inclusive regras para uso dos acampamentos disponíveis. Vale a pena dar uma conferida, mas vou tentar fazer um resumo aqui.

O parque tem duas portarias, uma no Alto Caparaó e outra em Pedra Menina. O acesso ao parque pode ser por qualquer da portarias, mas a partir de cada uma delas, o visitante tem acesso a atrações diferentes.

A exceção é o pico da Bandeira, que pode ser acessado a partir das duas. O ideal, portanto, é separar algum tempo para visitar o parque a partir de Alto Caparaó e também por Pedra menina, assim é possível visitar todos os atrativos.

Os atrativos dentro do parque

O esquema em ambas as portarias é o mesmo. O visitante passa por uma entrada, se identifica, recebe algumas informações básicas e vai seguindo pela estrada.

Ao longo dela, há placas indicando os atrativos. Alguns estão bem perto da estrada e outros dependem de trilhas. Além disso, em alguns pontos da estrada há os acampamentos, com estrutura para barracas, área para alimentação e banheiros.

Para quem entra por Alto Caparaó, há possibilidade de visitar a Cachoeira Bonita, Vale Encantado e Vale Verde. Nessa rota, há dois pontos de acampamento: Casa Queimada e Macieira. É possível ir de carro até o acampamento Macieira, mas as estradas não são muito boas.

Já para quem entra por Pedra Menina, há a Cachoeira da Farofa, Cachoeira do Aurélio e Cachoeira dos Sete Pilões. Também há dois pontos de acampamento: Terreirão e Tronqueira. É possível ir de carro até o Terreirão. Dali em diante, só a pé.

Para visitar o Pico da Bandeira, qualquer uma das portarias serve. Mas os aventureiros devem se ater a algumas coisas. Se o visitante entrar por Alto Caparaó, vai precisar ir a pé do acampamento Tronqueira até o pico, o que dá quase 7 km. Considerando ida e volta, a trilha pelo lado mineiro tem 13,4 km e um desnível positivo de 930 m.

Já se o visitante entrar por Pedra Menina, pode tentar ir de carro até o acampamento Macieira e, de lá, fazer a trilha até o pico, mas dadas as condições das estradas, é melhor considerar a trilha a partir do acampamento Casa Queimada, já que em geral a estrada é acessível apenas até ali. Dele, são 4,5 km até o topo, de modo que a trilha, ida e volta, tem 9 km. A elevação da trilha, desnível positivo, é de cerca de 800 m.

A trilha de ascensão ao Pico da Bandeira pode ser feita em um dia só, desde que iniciada cedo, mas é comum que os visitantes pernoitem em um dos acampamentos, façam a trilha na madrugada e vejam o nascer do sol do sol do alto da montanha.

Se esse for o plano, o mais adequado, pelas condições de estrutura, é fazer a trilha a partir da portaria de Alto Caparaó, indo de carro até o Terreirão, seguindo a pé até o Tronqueira, dormindo lá e na madrugada fazendo a parte final da subida.

Lembrando que para entrar no parque não há necessidade de reversar com antecedência, mas para pernoitar nos acampamentos é ideal reservar antes. Não há custo, mas há uma série de regras a obedecer, como por exemplo equipamentos obrigatórios e itens proibidos, como bebidas alcoólicas.

Além das trilhas até as cachoeiras e até os picos, ainda há possibilidade de fazer a travessia entre os dois estados, em uma trilha de mais de 30 km, com elevação máxima de quase 1 km, já que passa pelos picos da Bandeira, Calçado e Cristal.

Acredito que as informações principais a respeito do parque são essas. Para mais detalhes, é legal consultar o site, pois pode haver alguma alteração quanto aos dias de funcionamento do parque e etc.

Atrativos fora do parque

Embora o parque seja bem famoso e motivo da visita de muitos turistas, a região do Caparaó tem muito mais a oferecer. Particularmente, achei os atrativos fora do Parque até mais bonitos, mas deles falarei mais detalhadamente no outro post. Por enquanto, vou me ater a explicar mais ou menos quais são, onde estão e como podem ser visitados.

Fora do Parque Nacional existem duas espécies de atrativos. As cachoeiras e poços e a parte relacionada a cafeicultura/gastronomia.

Assim como ocorre em relação ao Parque, esses atrativos estão as vezes mais perto de Alto Caparaó, as vezes mais perto de Pedra Menina. Para ficar mais fácil, vou seguir essa divisão para agrupar as atrações.

Mais perto de Alto Caparaó, mas as vezes não tão perto assim, temos a Cachoeira das Andorinhas, Poço do Egito, Hidrolândia e as cachoeiras e poços do Rio Claro (Cachoeira do Rogério, Poço das Antas, do Balaio e da Tartaruga).

Além disso, ali nas imediações de Alto Caparaó está a Fazenda Ninho da Águia e o Sitio Pé de Breu, que oferecem uma excelente experiência no quesito café especial.

Já nas imediações de Pedra Menina, fora do parque temos a Cachoeira do Chiador, cachoeira do Vale a Pena e uma infinidade de cafeterias e restaurantes.

Nossa prévia de roteiro

Tendo isso em conta e levando em consideração o que havíamos descoberto através das pesquisas, nosso roteiro ficou mais ou menos assim: Quatro dias em Alto Caparaó e três dias em Pedra Menina.

Aqui um detalhe: nós viajamos em grupo e não conseguimos hospedagens no mesmo local. Na segunda parte da viagem, não ficamos nem na mesma cidade, apesar de ser tudo meio misturado na divida dos estados. Então, vai ser comum termos referências a mais de uma cidade no mesmo contexto.

Na primeira etapa da viagem (Alto Caparaó), deixamos um dia para conhecer o Poço do Egito e as cachoeiras do Rio Claro, um dia para Hidrolândia, um para o Parque Nacional e outro para as fazendas e sítios.

Na segunda etapa (Pedra Menina/Espera Feliz) deixamos um dia para o Parque Nacional e um dia para os passeios fora do parque, Cachoeira do Chiador e cafeterias da região.

Em todas as cachoeiras e poços fora do parque o esquema é o mesmo: Estão em áreas particulares, então há cobrança de um valor para entrada, que varia de R$20,00 a R$30,00 por pessoa.

Além disso, em alguns locais ainda há cobrança de algum valor para estacionar. Ainda são locais sem uma grande estrutura, mas em todos eles fomos muito bem recebidos. Em geral, as trilhas até os atrativos são simples, com exceção do Poço das Antas, como vocês verão no segundo post dessa série.

Uma dica para quem está planejando a viagem: desacelere

Antes de chegar na região, nós havíamos imaginado que conseguiríamos fazer vários passeios na mesma tarde, mas no primeiro deles já percebemos que isso não ia acontecer. Não apenas pela questão das estradas, mas porque a água é tão linda que não dá pra ficar só olhando. Ah, mas não enganem, tudo que a água tem de bonita tem de gelada.

O fato é que no primeiro passeio do nosso roteiro, no Poço do Egito, já tivemos que reprogramar a rota e acabamos por alterar a ordem dos passeios. O poço do Egito era pra ser um passeio de no máximo uma horinha e acabou tomando uma manhã.

Não que eu esteja reclamando, pois o lugar é muito bonito, como vocês vão ver melhor no post seguinte. Mas isso mostra bem que a viagem precisa ser em um ritmo menos acelerado, senão muita coisa se perde.

As paisagens do Caparaó precisam ser degustadas com calma, como um bom café. Aliás, não vejo como não amar a combinação de natureza, boa comida, simpatia de mineiros e capixadas e cafés maravilhosos. Se você está em busca de um lugar especial para a próxima viagem, considere o Caparaó.

Detalhes sobre nosso dia a dia por lá, vocês vão conferir nos dois posts seguintes, em que faço aquele relato da viagem nos mínimos detalhes. Sou suspeita, mas já adianto que o posts ficaram recheados de fotos e experiências incríveis. Só de pensar já me dá vontade de voltar.

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1 Resultado

  1. 24 janeiro, 2026

    […] post anterior, vocês viram como foram os preparativos para a viagem, o planejamento dos passeios e as […]