Pantanal Norte: por que vale a pena conhecer?
Há muitos anos carrego comigo uma espécie de culpa por não conhecer regiões do Brasil que ficam relativamente perto de onde moro. E aqui, dou destaque à palavra relativamente, já que na região norte (e partindo da região norte), nada é tão perto assim.
O fato é que às vezes a gente vai buscar longe experiências que também poderíamos ter por aqui. Não que as de longe sejam menos interessantes, não é uma questão de ranquear destinos. Mas às vezes é preciso conhecer o nosso entorno. Foi justamente nesse contexto de olhar mais para a vizinhança que passei a pensar em conhecer o Pantanal.
Começo hoje uma série de posts (três no total) sobre o Pantanal. Ao longo dessa tríade, vocês vão conhecer um pouquinho dessa região maravilhosa pelos meus olhos e entender como foi o processo de transformar um sonho em um projeto viável. A maior parte das fotos da viagem vai aparecer no último post, mas deixarei aqui algumas imagens que, certamente, vão te convencer a embarcar nessa jornada.


Gosto muito de natureza, passeios ao ar livre, trilhas e coisas assim. Moro bem na transição entre o norte e o centro-oeste, então a Amazônia e o Cerrado já faziam parte do meu universo. Aliás, até havia um contato mínimo com as áreas de transição entre cerrado e pantanal.
No entanto, uma coisa é ter esse contato mais superficial. E outra, bem diferente, é mergulhar em uma viagem dessas com o olhar mais atento, se permitindo ver tudo sob a ótica de quem vê pela primeira vez.



Antes de prosseguir, preciso contextualizar as coisas. Em 2020, o Pantanal, que eu conhecia mais pelos livros de geografia, entrou na mídia por motivos bem tristes. Queimadas de grande proporção destruíram completamente grande parte da região. Algumas áreas ficaram totalmente em cinzas.
Acompanhei nos noticiários, com o coração apertado, a luta de bombeiros, voluntários de ONGs e da população em geral, que se desdobravam para tentar conter as chamas e minimizar os efeitos devastadores das queimadas. Espécies de plantas e animais que já vinham sofrendo com a gradual degradação do habitat sofreram ainda mais. Ficar indiferente a isso era absolutamente impossível.
Algum tempo depois, por coincidência (ou não) estávamos em uma viagem para São Paulo e fomos a uma exposição de fotografia que detalhava esse episódio tão devastador. A exposição estava sendo apresentada no Instituto Tomie Ontake e tinha como nome o seguinte: Água, Pantanal, Fogo.
Ao mesmo tempo em que as imagens da terra em cinzas causaram indignação e revolta, as fotografias dos voluntários, bombeiros e brigadistas davam esperança.
Nasceu em mim, naquele dia, um senso de urgência. Era chegado o momento de conhecer de perto o Pantanal.




A viagem ao Pantanal começou a ser planejada para valer a partir dali. Saindo da exposição, comprei meu primeiro livro sobre o Pantanal, que mistura histórias e receitas, o Cozinha Pantaneira. Logo depois, comprei um livro específico sobre aves, chamado Aves do Brasil-Pantanal. Grandes paixões reunidas, o desenho dessa aventura estava começando a tomar forma.
Agora que coloco tudo isso no papel, parece que visitar o Pantanal era um caminho óbvio. Mas lá atrás, quando realmente comecei a pensar sobre isso, não parecia assim tão simples.
O Pantanal é a maior planície alagada do mundo. A gente aprende isso desde a escola e essa informação vai se repetindo ao longo dos anos. Em matérias de jornais, revistas de viagem, novelas da Globo e tudo o mais, sempre está lá essa informação, junto com aquelas tomadas cinematográficas que envolvem pássaros voando sobre lagos espelhados entremeados por vegetação rasteira.
Mas como colocar essa imensidão e grandiosidade dentro de uma viagem possível?



Por muitos anos, pensei que minha dificuldade em conhecer o Pantanal se dava pelo fato de ser mais perto de casa e, logo, eu não o valorizar adequadamente.
Hoje, depois de ter começado a conhecer, entendo perfeitamente que é o contrário. O Pantanal, meus amigos, é grande demais (em todos os sentidos). E como costuma acontecer com coisas superlativas, é difícil encaixar tudo isso em uma ou duas semanas de férias.




Acho que o primeiro passo que demos para tornar essa viagem possível foi definir exatamente de qual Pantanal estávamos falando.
O Pantanal é uma região só, que se estende por três países: Brasil, Bolívia e Paraguai. A maior parte dele, no entanto, está no Brasil, dividida entre os estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, sendo, respectivamente, o Pantanal Norte e o Pantanal Sul.
Em geral, quando se fala em Pantanal, a referência é justamente a parte que está no Mato Grosso do Sul, afinal, é uma área mais desenvolvida e com mais estrutura turística, até em virtude das estradas com mais condições de trafegabilidade.
O Pantanal Norte, por sua vez, não tem uma estrutura de turismo tão desenvolvida. Para o restante do Brasil, é mais difícil chegar até lá, então acho que isso também explica por que ele ainda é menos conhecido entre nós.
Eu moro mais perto do Pantanal Norte, então era para esse Pantanal que queria ir. Não que o Pantanal Sul não seja um objetivo de viagem, mas eu realmente queria começar pela vizinhança. E olha, não é qualquer vizinhança:



Delimitada geograficamente a viagem, era hora de começar a colocar no papel, de modo mais objetivo, como essa viagem aconteceria. E tão gostoso quanto viajar pra valer é sonhar e se preparar para pegar a estrada.
Depois do texto introdutório mais longo que esse blog já viu, vamos, finalmente, ao planejamento da viagem. Mas não, não será hoje que vocês verão esse post por aqui. Sorry 🙂
No próximo post, juro que começo, enfim, a falar de coisas mais práticas para tornar possível a incrível jornada a um dos lugares mais deslumbrantes que já conheci. Mas até lá, deixo um spoiler do que vem pela frente.


Também achava que o fato de estar tão perto e sempre ouvir falar não despertava aquela curiosidade de ir pessoalmente conhecer, mas lendo seu post começo a mudar o pensamento. Sempre gostei tanto de estar em meio a natureza, e me pergunto como pude colocar de lado um lugar tão lindo desse…Parabéns pelo blog, cada postagem uma viajem que fazemos com vocês!
Boraa???