Passeios a partir de Pedra Menina

Saímos de Alto Caparaó pouco depois do meio dia, paramos em uma barraquinha na estrada para comer pastel (quem nunca?) e seguimos viagem, chegando em Espera Feliz e Pedra Menina no fim da tarde.

O trajeto foi bem tranquilo e, com as indicações do maps e das placas, não tivemos nenhum desvio de rota. Em outras palavras, ninguém se perdeu no caminho.

Durante todo o percurso, muitas paisagens bonitas, cidadezinhas pitorescas e plantações de café de encher os olhos, as quais cobriam boa parte das encostas do terreno montanhoso. Não havia dúvidas de que os próximos dias também seriam especiais.

Chegada em Pedra Menina e nossas hospedagens

Nessa parte da nossa viagem, o grupo de viajantes acabou se dividindo um pouco, pois não conseguimos hospedagens próximas. Eu e Fellipe nos hospedamos na Casa Cedro, área rural de Espera Feliz, em Minas. Já nossos companheiros de viagem se hospedaram perto de Pedra Menina, no Espírito Santo, na casa Ninho.

Ambas as hospedagens foram excelentes, em locais bucólicos, com aquela tranquilidade que revigora a alma. Mas, ao mesmo tempo em que tinham esse ar mais remoto, também ofereciam conforto e comodidade, um conjunto perfeito para dias de descanso.

Da Casa Cedro posso dizer o seguinte: Ela é afastada da cidade e da entrada do Parque. Não parece ser uma escolha óbvia para quem vai visitar a região, mas sem dúvida alguma é uma atração por si mesma.

A casa tem uma arquitetura incrível, uma vista perfeita, que fica ainda mais linda com os primeiros raios de sol. Está no meio de um sítio muito agradável, tem um jardim com lavandas belíssimas. Além disso, os anfitriões são maravilhosos.

O café da manhã é escolhido previamente por um aplicativo e entregue pelo anfitrião. Aliás, não é apenas entregue, como montado à mesa com todo cuidado. A casa é ampla, com quarto confortável, sala e cozinha conjugadas e um banheiro. Há janelas e portas de vidro e uma jacuzzi/ofurô na varanda. Com certeza ficaria lá novamente.

Já em relação à Casa Ninho, apesar de não ter sido a nossa hospedagem, passamos um bom tempo lá com nossos amigos e sem dúvida dá para afirmar que o lugar é uma graça. Confortável, ao lado de uma pequena área de mata, com direito a um riacho no quintal. Tudo isso com a vantagem de ser perto do centrinho da cidade e da entrada do parque.

Tendo tudo isso em mente, posso dizer que recomendo qualquer das duas opções de hospedagem, já que ambas eram bem aconchegantes e charmosas. Todavia, para quem quiser ficar mais perto do burburinho, por assim dizer, a Casa Ninho parece ser a melhor opção.

Como chegamos todos bem cansados das atividades do dia e do deslocamento, resolvemos descansar e nem saímos para jantar. As duas hospedagens tinham cozinha bem equipada, então jantar “em casa” foi a melhor opção. Nós fomos de uma macarrão à putanesca, acompanhado de um queijo delicioso e um vinho leve.

O dia seguinte não poderia ter começado melhor. Lembram que dei um destaque especial para o café da manhã da Casa Cedro? Não foi à toa. O café da manhã foi perfeito, com produtos frescos e artesanais. Impossível resistir a tamanho carinho e atenção.

Atrativos no Parque Nacional

Tomamos o café com calma, apreciando a paisagem e degustando toda aquela junção de sabores. Em seguida, começamos o trajeto até a entrada do Parque Nacional, desta vez a de Pedra Menina. Os planos do dia envolviam visitar a Cachoeira da Farofa, Mirante do Lajão, Cachoeira do Aurélio e Sete Pilões.

Passamos pela entrada do parque, recebemos algumas instruções e seguimos, de carro, até a entrada da trilha que leva até a Cachoeira da Farofa.

O início da trilha está entre o Acampamento Macieira e Casa Queimada e é possível ir até o lá com o carro. Deixamos o carro embaixo de uma árvore e começamos a trilha. Ela é curta, com dificuldade baixa, mas grande parte do trajeto está sob sol pleno.

O caminho é bem bonito, com vegetação rasteira, alguns arbustos retorcidos e várias flores lindas, que se sobressaiam nos tons dourados do capim seco. Além disso, do alto já é possível apreciar a cachoeira que estende por entre a vegetação. Impossível ser indiferente.

A cachoeira forma vários pequenos poços, com uma queda mais fotogênica já na parte mais plana. Nesse mesmo local está o poço mais adequado para banho, com aquele tom esverdeado espetacular. A água? gelada como sempre.

De lá, voltamos pra o estacionamento e fomos seguindo pela estrada, de carro, até o mirante do Lajão. A estrada fica significativamente pior a partir do acampamento Macieira, mas conseguimos chegar ao mirante sem percalços. A vista de lá é realmente impressionante, então, se puder, vá até lá.

Ficamos alguns minutos no mirante e já demos início ao nosso retorno. Andamos um pouco e, logo depois, paramos no estacionamento do acampamento Macieira, de onde saem trilhas para os outros dois atrativos: cachoeira do Aurélio e sete pilões.

Como já estava no início da tarde e começávamos a ter dúvidas sobre a possibilidade de conhecer as duas cachoeiras, optamos por iniciar pela do Aurélio, cuja trilha é mais longa.

A trilha é lindíssima, com árvores cheias de musgo, samambaias e xaxins gigantes. É uma caminhada agradável, sem muita inclinação, quase toda à sombra das árvores.

Inicialmente, fomos até o mirante, de onde se tem uma bela vista da região e da cachoeira, que desce em degraus pelas pedras, formando uma paisagem muito bonita.

Depois de algum tempo contemplando aquele cenário, descemos para a cachoeira. Não entramos na água, pois já estava tarde, mas que deu vontade, isso deu.

Em alguns lugares, a água formava verdadeiras piscinas, uma mais convidativa que a outra. Para completar, a luz estava linda, com alguns tons amarelados sobre a agua. Ficamos por lá alguns minutos, tiramos algumas fotos e em seguida começamos a fazer a trilha de volta.

Chegamos ao estacionamento por volta das quatro e meia e, por causa do horário, desistimos de fazer a outra trilha. Voltamos para a pousada e, à noite, comemos pizzas maravilhosas feitas pelo nosso anfitrião e entregues na “nossa casa”. A lua estava cheia, tornando a noite um verdadeiro espetáculo.

Depois do jantar, ficamos por horas na varandinha da casa, no melhor estilo viagem de férias. Amigos, vinho, lua e lavandas no jardim. Para mim, é uma super combinação.

Atrativos fora do Parque: Cachoeiras e uma cafeteria que salvou o dia

No outro dia os planos eram bem flexíveis. Já havíamos feito os passeios no parque no dia anterior e na quarta feira ele é fechado, então não dava para tentar fazer a cachoeira Sete Pilões. Decidimos, então, nos dedicar a conhecer algumas cachoeiras fora do parque, curtir a casa e ter um dia daqueles bem tranquilos.

Tomamos café com calma e por volta das onze da manhã fomos até a cachoeira do Chiador, bem perto de onde estávamos hospedados. O lugar é bonito, mas aparentava estar completamente abandonado. Galhos, troncos e bastante areia tomavam conta da água, talvez pelas chuvas recentes na região. Nas trilhas, infelizmente, havia um pouco de lixo espalhado.

Acabamos ficando pouco tempo por lá e já seguimos por mais alguns quilômetros até a cachoeira do Vale a pena, descoberta através de algumas pesquisas no google quando já estávamos na região. Havia uma placa indicando valor de entrada, mas não havia ninguém fazendo cobrança ou controlando.

Seguimos uma curta trilha e chegamos até a cachoeira. A água estava mais turva que as demais e a paisagem nem se comparava as cachoeiras e poços dos dias anteriores, mas estávamos sem grandes planos, então ficamos por lá um pouco.

Depois, seguimos para o restaurante Picanha Dourada para almoçar. Ele ficava meio longe de onde estávamos, mas era um dos poucos restaurantes abertos. Não foi uma boa experiência, a comida era bem sem gosto, mas não havia muitos opções para almoço naquele horário.

Aqui uma informação muito relevante. As cidades de Pedra Menina, Dores do Rio Preto e o entorno são lindos. Há muitas opções de restaurantes e cafeterias, um mais bacana que o outro. Mas eles só funcionam nos períodos de férias, feriados e finais de semana, quando há mais turistas.

Nós não tínhamos essa informação antes, mas certamente se tivéssemos, teríamos tentando ajustar melhor os dias em cada cidade. O fato é que, infelizmente, grande parte dos locais que queríamos visitar estavam fechados.

Ainda assim, conseguimos aproveitar o fim da tarde em uma das cafeterias da nossa lista: a Serra da Seriema. Chegamos lá no entardecer e ficamos por um bom tempo. É um lugar lindo, bem no topo de uma serra, cercado por cafezais. Pedimos cafés, bolo e pão de queijo.

Tudo perfeito, ainda mais o simpático canário da terra, que nos fez companhia durante a visita, mas não quis nem saber de pousar para as fotos.

O gran finale

Quando já começava a anoitecer, saímos da cafeteria e fomos descansar um pouco. À noite, fomos jantar no restaurante Dom José, também reservado previamente. Em geral, ele abre apenas nos fins de semana, mas é possível tentar reservar para outros dias, que foi o que fizemos.

Era nossa última noite na região, e isso pedia um encerramento à altura. Não poderíamos ter escolhido lugar melhor: ambiente lindo, lugar acolhedor e comida maravilhosa. Todos os pratos executados à perfeição, com uma apresentação impecável.

A vontade era morar naquele momento. Um restaurante intimista, com louças delicadas, uma linda cristaleira e pratos nas paredes. Se um dia eu tivesse meu próprio bistrô, tenho quase certeza de que seria assim, afetivo e acolhedor.

Foi uma experiência incrível. Ainda mais porque estávamos entre amigos, daqueles que são irmãos que a gente escolhe pra dividir a vida. Foi mesmo um jantar em família para encerrar dias incríveis pelo Caparaó.

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