Torres del Paine: Salto Grande, Mirador Los Cuernos e Condor

O dia amanheceu com sol, o que significava que voltaríamos ao parque! Não havíamos comprado o ingresso na noite anterior porque ainda havia dúvidas sobre o tempo abrir, mas eis que fomos presenteados com um lindo dia.

Sem ingressos prévios, tentamos comprar pelo site antes de sair do hotel, mas infelizmente não conseguimos, pois a página não carregava de jeito algum.

Com isso, depois do nosso delicioso café da manhã no hotel, resolvemos ir direto até a portaria Sarmiento para tentar comprar os ingressos lá e entrar novamente no parque. O plano até parecia bom, mas não saiu exatamente como o que havíamos imaginado.

Ao chegar, descobrimos que não havia venda de ingressos naquela portaria. Aí vai um erro que os leitores desse blog não vão cometer! Nem todas as portarias tem venda de ingressos de modo automático, como eu informei no primeiro post dessa série.

Até havia possibilidade de tentar usar a internet da portaria Sarmiento para comprar os ingressos online e a atendendo foi muito solícita quanto a isso, mas lá também a página não carregou.

No fim das contas, não conseguimos entrar pela Portaria Sarmiento e acabamos dando a volta até a Portaria Laguna Amarga. Não ficamos nada felizes com isso, pois acabamos entrando mais tarde no parque e isso poderia impedir que fizéssemos os passeios.

Mas não havia o que ser feito. Seguimos para a portaria Laguna Amarga e compramos os ingressos sem problemas.

Com eles em mãos, entramos no parque e fomos seguindo até o Mirador Los Cisnes, por dentro do parque, mas pela parte mais alta, em um trajeto diferente do que havíamos feito dois dias antes, quando entramos pela Portaria Sarmiento.

E foi justamente por causa desse desvio de percurso, causado pela confusão dos ingressos, que tivemos o encontro mais espetacular de toda a viagem.

Pouco depois que começamos o trajeto, avistamos uma aglomeração de fotógrafos na beira da estrada. Paramos para ver o que era e se tratava de uma família de pumas: um adulto e dois filhotes. A coisa mais linda do mundo.

Ficamos um bom tempo ali, completamente paralisados de emoção. Com o binóculo, dava para ver os detalhes dos filhotes: pequenos, curiosos (tais como gatinhos), completamente alheios à comoção que causavam na beira da estrada.

O adulto, por sua vez, mantinha aquela elegância típica dos felinos, como se fosse dono do lugar. Bom, na verdade, era.

Não é sempre que a gente tem o prazer de encontrar pumas assim, em plena natureza, sem grades nem cercas. Inclusive, essa foi a primeira vez que vimos pumas na Patagônia mais de perto.

Aproveito o momento para deixar uma dica de leitura que tem muita relação com a Patagônia e com os Pumas que andam por lá. Falo do livro do Guilherme Cavallari: “Pumas não comem ciclistas“. Já dei essa dica no post sobre Ushuaia, mas vale repetir.

Passado o momento de contemplação, seguimos viagem, parando em vários lagos e miradores pelo caminho. Muitos deles eram os mesmos que havíamos visto dois dias antes, mas um dia ensolarado muda completamente a paisagem. O que antes estava meio monocromático se revelou um arco-íris sob a luz do sol.

Nosso plano era refazer o trajeto de carro até Pudeto e de lá fazer as trilhas até o Salto Grande e Mirador Los Cuernos. Se desse tempo, esticaríamos o passeio até o Mirador Cóndor. Os planos eram ambiciosos, mas estávamos animadíssimos para aproveitar os últimos momentos no parque.

Depois de algumas paradas ao longo do caminho, chegamos à cafeteria de Pudeto. Fizemos um lanche e seguimos de carro até o início da trilha para o Salto Grande, que fica a uma curta caminhada da cafeteria.

Salto Grande é uma cachoeira muito simpática que conecta o Lago Skottsberg ao Lago Pehoé, e o visual é impressionante. A queda não é tão alta, mas a água cai com força entre as rochas e, com o sol, forma um arco-íris constante na névoa. Vale muito a parada, mesmo que rápida.

Do Salto Grande começa a trilha para o Mirador Los Cuernos. É uma trilha fácil, com 5 quilômetros no total. Somando com o trajeto até o Salto Grande, chegamos a sete quilômetros de uma agradável caminhada.

A trilha até o Mirador Los Cuernos, apesar de curta, é muito bonita e, ao contrário da trilha até a base das torres, ela já começa mostrando a que veio. A paisagem é linda do início ao fim e, chegando no mirador, há um lago lindo com as montanhas ao fundo. Sem dúvidas, uma caminhada imperdível.

Nós acabamos por chegar ao mirador bem perto do meio dia. Com isso, o sol acabou atrapalhando levemente as fotos. Ainda assim, pelas imagens abaixo dá pra ver porque o lugar é tão amado pelos turistas. Sem dúvida, a visita até o Mirador Los Cuernos é imperdível.

Terminamos a trilha, voltamos para o carro e paramos na cafeteria novamente, para almoçar. Em seguida, seguimos de carro para o Mirador Cóndor.

O Mirador Cóndor fica na zona do Alto Pehoé, bem perto do acampamento Pehoé, na parte central do parque. Para chegar até lá, basta deixar o carro estacionado perto da estrada e começar a trilha, ladeira acima.

A trilha tem cerca de 2,4 km de extensão, é considerada moderada e costuma levar pouco mais de uma hora, o que a torna uma ótima opção para quem quer uma aventura sem compromisso de dia inteiro.

A subida é bastante íngreme, mas a recompensa faz valer cada esforço: conforme vamos subindo, a vista vai se revelando de tirar o fôlego, com o Lago Pehoé em tom esmeralda, as pequenas lagoas da região e as montanhas se espalhando pelo horizonte.

Nós não chegamos ao topo porque nem todos desse casal viajante estavam com calçados adequados (leia-se Fellipe, cujas botas não estavam preparadas para as trilhas de Torres del Paine). E a regra é clara: ou vamos os dois ou ninguém vai.

Apesar disso, fizemos boa parte da subida e, mesmo sem alcançar o ponto mais alto, já foi incrível. Em dias claros, é uma trilha imperdível. Então, apesar de não ser uma subida das mais amigáveis, recomendo demais.

Saímos do Mirador Cóndor e seguimos para o Mirador Rio Serrano, perto de onde havíamos ficado hospedados dias antes. Tiramos algumas fotos com a luz linda do fim de tarde e continuamos o trajeto até Puerto Natales.

Chegamos perto das sete da noite e, mais uma vez, jantamos no hotel. Pedimos uma massa negra com vieiras e um risoto de legumes com salmão. Para encerrar, sobremesas maravilhosas. Nem preciso dizer que estava tudo muito bom.

No dia seguinte, era chegada a hora de deixar a cidade. Como esses momentos são difíceis! Gostei tanto de Puerto Natales que não queria sair de lá de jeito algum, mas dizer até breve também faz parte da viagem.

Com o tempo, a gente aprende que as partidas também devem ser vividas com intensidade e gratidão. Na mesma medida, fica para trás um pouco da gente e segue conosco um pouco do lugar.

Nossa última manhã por lá foi marcada por mais um nascer do sol esplêndido, com todas as cores a que se tem direito. A luz batendo no alto das montanhas revelou que a neve do dia anterior tinha derretido em muitos pontos, criando um lindo contraste de sombras e neve mais persistente.

Havia poucas nuvens no céu e quase nada de neblina. Até o vento insistente da Patagônia se acalmou nesse momento, deixando que o alaranjado da luz do sol pintasse com perfeição as bordas do lago. Se há um modo melhor de dizer hasta la vista, desconheço.

Nos despedimos de Puerto Natales e seguimos para Punta Arenas, que nos esperava para os capítulos finais dessa viagem incrível. Mas isso é história para o próximo post. 😊

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