Torres del Paine, parte 2: É possível fazer as trilhas sem acampar?

É viável fazer as trilhas e conhecer Torres del Paine sem se aventurar pelo circuito W?

Se essa dúvida te atormenta, esse post é especialmente para você.

Toda viagem pode ser melhor aproveitada se houver algum planejamento. Mas tratando especificamente de Torres del Paine, acredito que isso é ainda mais importante. É um local longe, os passeios mais emblemáticos são em meio à natureza, a estrutura é um pouco limitada e, até por isso, tudo é caro.

Ficar perdendo tempo em uma viagem assim não só desperdiça dias que você poderia aproveitar muito melhor, mas também representa um baita furo no bolso. Justamente por isso, antes mesmo de comprar as passagens, é importante tomar algumas decisões, como quais passeios fazer, quanto dinheiro está disposto a gastar e por aí vai.

Mas todas essas decisões, na minha visão, dependem de uma outra. É preciso se perguntar que estilo de viagem combina mais com você.

Para algumas pessoas, é tentadora a proposta de passar dias em um parque, dormindo em refúgios, quartos compartilhados ou barracas. Entre uma pausa e outra, caminhadas em trilhas cinematográficas, carregando equipamento e comida.

Para outras pessoas, no entanto, faz mais sentido abrir mão de algumas trilhas em troca de ter um pouco mais de conforto. Escolher alguns passeios, caminhar e voltar para dormir em uma cama quentinha, de preferência, tendo um bom jantar e tomando um vinho.

Devo dizer que acho as duas propostas muito boas. Tanto que escolher uma delas não foi uma tarefa muito fácil. Depois de muito avaliar, optamos pela segunda opção, ao menos para essa nossa primeira viagem para a região.

E aí começa um capítulo meio complicado do planejamento da viagem: A falta de informação. Não sobre Torres del Paine, isso tem aos montes na internet. O problema foi encontrar informação detalhada sobre como visitar o parque sem ter que fazer o circuito W.

Restringindo as pesquisas para esse ponto em específico, a primeira opção que surgiu foi a hospedagem em um dos hotéis all inclusive que estão dentro e ao redor do parque. Os mais conhecidos são o Explora Patagônia, o Tierra Patagônia e o Las Torres. Por estar tudo incluído, inclusive os passeios, é uma mão na roda para quem não quer ter perrengue. Mas tudo tem um preço. E nesse caso, não é nada barato.

Confesso que chegamos a avaliar a possibilidade, mas acabamos desistindo e passamos a buscar alguma outra opção. Depois de muito quebrar a cabeça, analisar mapas e traçar planos, enfim, conseguimos conciliar nossa vontade de conhecer Torres Del Paine com um roteiro que juntava conforto e aventura.

Deixo, abaixo, as informações sobre as duas opções. Para quem é da turma do acampamento, compartilho informações teóricas sobre o circuito. Para quem gosta de um pouco mais de estrutura, deixo dicas práticas que usamos para construir nosso roteiro.

Torres del Paine com circuito W

Quem optar pelo Circuito W precisa planejar a viagem com bastante antecedência, pois vai precisar não apenas do ingresso para o parque, mas também da reserva de hospedagem nos refúgios e acampamentos ao longo do trajeto.

Conforme é possível ver no mapa abaixo, extraído de um site bem completo chamado TorresdelPaine, as trilhas que compõem o circuito são os seguintes trechos: Glaciar Grey, Francês, Italiano e Base das Torres. Elas formam as “perninhas do W”, por assim dizer (e estão tracejadas em laranja na imagem).

Algumas dessas trilhas são de ida e volta, então acabam sendo mais longas. Outras são mais curtas porque são apenas o deslocamento entre um refúgio e outro. Lógico que o planejamento do circuito vai depender muito do tempo e da disposição de cada um, pois é possível parar para dormir em qualquer dos refúgios e acampamentos, desde que previamente reservado.

O mais comum, contudo, é que os viajantes completem em cinco dias. Nesse caso, devem ser reservados os pernoites no Refúgio ou Camping Torre Central, Refúgio ou Camping Los Cuernos, Camping Francês ou Paine Grande e Refúgio ou Camping Grey. Há duas empresas que administram os refúgios e alojamentos: a Vértice e a Las Torres (antiga Fantástico Sur).

Os alojamentos da primeira parte do trajeto são administrados pela Las Torres. Mais ou menos no meio do circuito, há um alojamento administrado por cada uma das empresas, Francês ou Paine Grande. Já o último alojamento é administrado pela Vértice.

Dá pra escolher os alojamentos de apenas uma, ajustando a logística e os deslocamentos, ou combinar as duas. Nesse caso, as reservas precisam ser feitas diretamente nos sites de cada empresa. Ah, e aqui vai um aviso importante: não pensem que, por estarmos falando de refúgios e acampamentos, os preços são baixos. Os valores são bem salgados, ainda mais em alta temporada.

É preciso ter em mente, também, que os refúgios e acampamentos não são todos iguais, então é importante ler sobre cada um antes de escolher. Em alguns há barracas, quartos coletivos e tendas. Enfim, tem para todo gosto. Na maior parte deles há lanchonetes e áreas comuns para refeições, algumas ao ar livre, que mesmo quem não está hospedado pode acessar.

Para os mais aventureiros e econômicos, existem acampamentos gratuitos gerenciados pela CONAF: o Acampamento Torres, o Acampamento Italiano e o Acampamento Paso. A estrutura é bem básica, sem lanchonete ou banheiros completos, mas é uma boa opção para quem quer gastar menos.

Outra coisa que precisa ser levada em conta na hora de traçar o plano é que, na maior parte das trilhas, você estará carregando seu equipamento e pertences pessoais. Então, além do cansaço da trilha em si, é preciso considerar o peso da mochila.

Em algumas trilhas de ida e volta é possível deixar a mochila no refúgio e buscá-la na volta, mas nas trilhas de deslocamento isso não é possível, por razões óbvias.

Por isso, é bom alinhar as expectativas e ter cautela no planejamento, pois pode ser que a caminhada não renda tanto quanto o esperado. Em resumo, para os aventureiros mais animados, são essas as informações básicas sobre o Circuito W.

Torres del Paine sem circuito W

Para quem não está assim tão disposto a caminhar com mochilas pesadas, dormir em refúgios e etc, vou detalhar as outras opções.

A primeira é ficar hospedado em um dos hotéis de dentro do parque e contratar com eles os passeios, ou já reservar as opções all inclusive.

Nesta categoria estão o Explora, o Las Torres e o Hotel Pehoé, opções sofisticadas, com estrutura completa e passeios incluídos. São, de longe, as opções mais caras, mas também de logística mais fácil. Para quem tem orçamento disponível e quer comodidade máxima, vale muito à pena avaliar.

Para quem quer uma opção intermediária, há a possibilidade de se hospedar fora do parque, alugar um carro e fazer os passeios no esquema bate e volta. Vai até o parque, faz a trilha e volta para dormir no quentinho do hotel.

E aqui já vai um aviso importante: para essa modalidade, o carro não é um luxo, é uma necessidade. Não há transporte público regular entre as hospedagens e o parque, e os transfers organizados costumam ter horários fixos que limitam bastante a liberdade de exploração.

É aquela coisa, a liberdade tem um custo. E nesse caso, escolher se hospedar nas imediações, fazer bate e voltas e construir o próprio roteiro por conta própria vai implicar na necessidade de alugar um carro.

Sendo essa a opção, surgem mais alguns pontos a considerar: localização do hotel, custo da hospedagem e oferta de refeições.

Tudo isso é relevante porque estamos falando de um parque grande, longe de qualquer cidade. Só o deslocamento entre um setor e outro, mesmo dentro do parque, pode demorar horas. Imagine então o deslocamento até alguma das opções de hospedagem.

E aqui é bastante importante compreender que existem opções de hospedagem nas imediações do parque, inclusive algumas bem perto das portarias. Mas isso não significa que ficar lá vai tornar o passeio mais simples.

Justamente por isso, é importante escolher as trilhas e passeios antes de decidir os locais de hospedagem. Estar perto de uma entrada do parque não quer dizer, necessariamente, que você estará perto do início da trilha ou do passeio que pretende fazer. Compreender essa logística é o que vai definir se a sua experiência vai dar certo ou se vai ser um absoluto fracasso.

Vou dar um exemplo bem claro dessa situação. Um dos passeios mais procurados do parque é a trilha até a Base das Torres. Para começar essa trilha estando fora do parque, a portaria mais próxima é a Laguna Amarga. De lá, caminha-se até o Hotel Las Torres e aí a trilha começa pra valer.

Só que perto dessa entrada não há muitas opções de hospedagem. Apenas o próprio Hotel Las Torres e um ou outro lodge dentro dos limites do parque. Em contrapartida, há opções de hospedagem próximas a outras entradas, como na região de Rio Serrano.

Em praticamente todos os anúncios de hospedagem você vai encontrar, em destaque, a informação de que o local está a poucos minutos da entrada do parque. Mas aí vem o grande ponto: perto de qual entrada?

Porque, no contexto de quem vai fazer a trilha até a Base das Torres, ficar perto da entrada Río Serrano acaba adicionando um fator complicador: ter que atravessar o parque antes mesmo de começar a trilha. Agora, se você vai fazer alguma das trilhas mais próximas ao setor Rio Serrano, aí faz todo sentido se hospedar por lá.

Mas não se preocupem. Falarei dos setores e das trilhas com mais detalhes nos posts seguintes. Por enquanto, usei essas menções apenas para exemplificar que ficar perto de uma entrada do parque nem sempre facilita as coisas.

O fato é que a escolha da hospedagem vai necessariamente levar em conta os planos para cada dia. Em geral, as pessoas buscam fazer trilhas e passeios em várias regiões do parque, de modo que o caminho mais lógico é dividir a hospedagem, escolhendo bases que tornem a logística mais tranquila.

Há pousadas, fazendas com opções de hospedagem, hotéis e acampamentos em vários pontos perto do parque, então é só procurar com calma. Inclusive, há opções muito legais, com comida, conforto e experiências incríveis.

Lógico que também dá pra ficar em Puerto Natales e fazer o bate e volta ao parque. Isso não funciona em dias de trilhas longas, a não ser que você queira sair madrugada adentro. Mas em dias mais leves, de passeios mais contemplativos, é uma boa pedida.

Nosso roteiro, que vou apresentar em breve, contempla um pouco de tudo: hospedagem perto do parque, em vilarejos nos arredores e até em Puerto Natales.

Uma coisa posso garantir: dá para conhecer Torres del Paine sem fazer o Circuito W, aliando passeios deliciosos, vistas incríveis e bastante conforto. E foi exatamente esse caminho que escolhemos.

No próximo post, conto como montamos nosso roteiro, por que escolhemos cada base e o que levamos em conta para distribuir as noites da forma que fez mais sentido pra gente. Até breve.

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